Chicago não inventou o blues, mas o eletrificou — literalmente. Quando a Grande Migração trouxe músicos do Delta para as cozinhas e bares de Bronzeville, o blues acústico do campo se plugou a um amplificador e nunca mais olhou para trás, enquanto o jazz que dividia aqueles mesmos quarteirões do lado sul se curvava para algo mais rápido e estranho. Um século depois, essa linhagem ainda toca na maioria das noites da semana, se você souber em quais portas entrar e quais pular.
Este é um guia para as salas, não para o mito. Algumas são salas de concerto silenciosas onde usar o celular rende um olhar; outras são caixas de som de duas etapas abertas até tarde, feitas para grupos de dez. Abaixo, elas estão agrupadas como você realmente planejaria uma viagem — por bairro, por clima e por saber se você é um casal atrás de um set perfeito ou uma festa que quer música até depois da meia-noite.
Uptown e a sala que você não pode pular
Se você fizer uma única coisa nesta lista, que seja o Green Mill Cocktail Lounge (Uptown). Esta é a sala de jazz mais histórica de Chicago — o camarote onde a máfia bebia ainda está no canto — e para um leitor internacional, é a parada imperdível. Entenda no que você está se metendo primeiro. É pequeno, lotado e funciona com uma regra rigorosa de não conversar durante as apresentações; trate como um concerto, não um bar onde você acontece de estar batendo papo. A cobertura é uma pechincha de cerca de US$ 6 a 15, mas é apenas em dinheiro e não há reservas, então você enfrenta fila e chega cedo. Um grupo pode caber, mas uma festa barulhenta não — esta é a sala errada para essa energia. Venha no domingo para o tradicional Uptown Poetry Slam, ou qualquer noite para o jazz, e comporte-se como os frequentadores: ouça.

O blues, do South Loop ao West Side
O blues de Chicago está espalhado pela cidade, e cada sala tem um temperamento distinto. O nome mais emblemático é o Buddy Guy's Legends (South Loop), de propriedade do próprio lendário vencedor do Grammy. É espaçoso e genuinamente acolhedor para grupos e excursões, com blues ao vivo sete noites por semana, o que o torna a opção padrão se você quer algo garantido. A cobertura gira em torno de US$ 10 em dias de semana e até cerca de US$ 20 nos fins de semana. A data a se marcar: Buddy ainda faz uma residência em janeiro aqui, e esses shows lotam com bastante antecedência — se você estiver na cidade nessa época, reserve assim que os ingressos aparecerem.

Para algo sem nenhum brilho de loja de souvenirs, vá ao Rosa's Lounge (Logan Square, no West Side). É um autêntico bar de blues de bairro, administrado por uma família, fundado por um imigrante italiano em 1984, e é famosamente acolhedor — a escolha autêntica e não turística. Também é pequeno. Grupos são bem-vindos e há uma jam semanal que vale a pena programar sua noite, mas a capacidade é limitada, então reserve com antecedência se estiver chegando em grupo em vez de um casal. Espere uma cobertura de cerca de US$ 10 a 20.

Quando você quiser que a música simplesmente nunca pare, o Kingston Mines (Lincoln Park) é a resposta. É o clube de blues mais antigo e maior de Chicago em operação contínua — desde 1968 — e é construído em torno de dois palcos com bandas alternadas, então assim que uma banda termina, a outra sala já está tocando. Fica aberto até de madrugada, o que o torna a opção mais adequada para grupos e para quem quer ficar até tarde na cidade. A cobertura é de cerca de US$ 15, além de comida e bebida. É aqui que você chega à meia-noite, quando as salas de concerto fecharam e ninguém quer que a noite termine.

Se você estiver hospedado perto do rio e quiser blues a uma curta caminhada, o Blue Chicago (River North) é a sala mais conveniente do centro, bem ao lado dos grandes hotéis. É muito acessível para turistas e grupos, com apresentações locais noturnas e uma cobertura de cerca de US$ 10 a 15, e faz questão de destacar vocalistas e bandas de Chicago. Não é a opção mais profunda desta lista, mas para um visitante de primeira viagem que quer blues local de verdade sem precisar pegar um táxi, cum exatamente o que promete. Se você ainda não escolheu onde se hospedar, uma busca por hotéis em Chicago perto de River North ou do Loop coloca você a uma curta distância a pé de várias dessas salas.

As salas de audição sérias
Algumas noites você quer ficar parado e realmente ouvir a música. Chicago tem três salas para isso, e cada uma tem seu próprio público.
O pilar dos puristas é o Jazz Showcase (South Loop). Fundado por Joe Segal em 1947 e ainda administrado pela família, é a sala de jazz mais antiga da cidade, e programa artistas de renome para pessoas que levam a música a sério. São aceitas reservas, grupos são bem-vindos, mas esteja ciente de que esta é uma sala de audição silenciosa, não um bar de festa — e é para maiores de 21 anos. A entrada custa cerca de US$ 20 a 45, dependendo de quem está tocando. Venha para ouvir um nome, não para falar por cima.

Para uma noite mais refinada e elegante perto do centro turístico, o Winter's Jazz Club (Streeterville) é uma sala polida do Great American Songbook — jazz direto, lindamente tocado, em um espaço pequeno. Reservas são recomendadas e, como a sala é realmente pequena, essenciais se você estiver trazendo um grupo. Os ingressos giram em torno de US$ 20 a 30. É a escolha para um casal que quer uma noite elegante e discreta a poucos minutos da água.

A escolha aventureira é o Constellation (Roscoe Village), fundado pelo baterista Mike Reed para jazz inovador, música improvisada e experimental. É onde você vai quando quer ser surpreendido em vez de relaxado. Os shows são com ingressos, com uma mistura de lugares reservados e entrada geral, o que funciona bem para um grupo comprando junto, e os ingressos custam cerca de US$ 15 a 25. Se seu companheiro de viagem acha que não gosta de jazz, esta é ou a sala que muda a opinião dele ou confirma — de qualquer forma, é a aposta interessante.

Jazz com jantar e uma noite completa
Nem toda noite de música precisa ser austera. Se você quer comer bem e ouvir um set sem mudar de local, algumas salas foram feitas exatamente para isso.
A opção central mais fácil é o Andy's Jazz Club (River North), a poucos passos dos hotéis do Loop. Reservas são obrigatórias, e vale a pena saber como funciona: é ótimo para um show, e a sala esvazia entre os sets, então atende melhor a um grupo de jantar com música do que a um local para ficar a noite toda. É para maiores de 21 anos, e você pagará uma cobertura mais um menu completo de jantar e bebidas. Para visitantes que querem jazz com uma refeição decente e sem logística, é a resposta confiável.

Para algo mais teatral, o Untitled Supper Club (River North) é feito para grupos — jantar, serviço de garrafas e cantos privativos, com reservas aconselhadas. A programação inclui jazz noturno, western swing e jump blues, com floreios burlescos; este é um local para uma noite completa, não uma sala de audição purista, e os preços de jantar e bebidas o colocam firmemente na faixa de luxo. Tragam a comemoração para cá, não para o Green Mill.

A sala mais fotogênica desta lista é o Epiphany Center for the Arts (West Loop), uma impressionante igreja convertida que agora funciona como um campus completo de artes e eventos com três salas. Ele recebe uma série semanal de jazz e blues, os ingressos variam conforme o show, e é confortável para grupos. Se alguém do seu grupo se importa tanto com o ambiente quanto com a música, este é o lugar que rende fotos.

Salas de bairro que valem o desvio
Dois lugares ganham seu lugar pela atmosfera e caráter, e não por um nome de destaque. O California Clipper (Humboldt Park) é um bar lindamente preservado dos anos 1930, e o ambiente é metade da razão para ir. Ele recebe jams noturnas de funk, blues e jazz, a maioria com cobertura baixa ou nenhuma — você está realmente pagando apenas pelas bebidas — e acomoda grupos facilmente de maneira descontraída e sem pressa. Venha para um drinque final e fique para uma jam.

Finalmente, o FitzGerald's é um amado bar de estrada de americana, roots e blues cujo 'Bluesday Tuesday' é uma instituição. Uma ressalva honesta para um visitante: fica em um subúrbio a oeste, a cerca de 20 minutos de trem do centro, então é uma viagem proposital, não uma caminhada do seu hotel. Os shows são com ingressos, normalmente de US$ 15 a 35, e há um pátio e um bar lateral que o tornam bom para grupos. Vá se quiser a experiência de bar de estrada e não se importar com o trajeto; pule se sua noite precisar ficar central.

Notas práticas
Locomoção. A linha vermelha do CTA é sua espinha dorsal para música: vai do centro para o norte em direção a Uptown para o Green Mill e para Lincoln Park, e funciona até tarde. Depois das madrugadas, porém — quando o Kingston Mines finalmente acaba — um táxi ou carro de aplicativo de volta é dinheiro bem gasto em vez de esperar na plataforma. O FitzGerald's é o único local que realmente precisa de planejamento, dada a viagem para o oeste.
Dinheiro. Suponha que o Green Mill é apenas em dinheiro e leve o suficiente para a cobertura antes de entrar na fila; não há opção de cartão na porta. A maioria das outras salas aceita cartões, mas alguns bares de blues pequenos preferem dinheiro para as coberturas, então mantenha algum consigo.
Horários. As salas de audição de jazz tendem a ter sets definidos a partir das 20h; reserve para Jazz Showcase, Winter's, Andy's e Untitled. O blues funciona mais tarde e de forma mais solta — Kingston Mines e os bares de bairro são onde a noite se estende além da meia-noite. Se você só tiver uma noite, faça um set de jazz cedo e termine com blues tarde.
Idades e grupos. Várias salas de jazz — Jazz Showcase, Andy's, reservas no estilo Winter's — são 21+, então leve documento. Para um grupo, as apostas certas são Kingston Mines, Buddy Guy's Legends e Untitled Supper Club; para um casal em busca de uma apresentação silenciosa, escolha Green Mill, Winter's ou Jazz Showcase.
Orçamento. Os couverts variam de aproximadamente $6 no Green Mill a $45 para um headliner no Jazz Showcase, então uma noite com foco em música é muito viável com um orçamento modesto se você evitar a rota do supper club. Para tudo o mais — onde ficar, comer e passar o dia — veja o guia completo de Chicago.
